segunda-feira, setembro 27, 2010

Coadjuvantes

A gente passa tempo demais esperando.
O dia seguinte
A próxima noite
Passa muito tempo tentando achar o caminho
Da terra prometida
Para onde vão os sonhos.
A gente espera
O café quentinho, o ônibus
O metro lotado que vai nos levar para algum lugar
Que não seja aqui
Que não esse
A gente espera dormindo
A hora de acordar
Tempo demais perdido
Que escorre rápido
Que desce pelo ralo enquanto lavamos o cabelo embaralhando os sonhos.
A gente espera
O telefone tocar
O sms chegar
O convite da festa
Que alguém nos tire para dançar.
Nós, os coadjuvantes
Observamos a mediocridade da vida
E esperamos que um dia.
Um dia meu Deus, ela há de melhorar

domingo, junho 27, 2010

O Domingo no fim.

Saio pela rua na hora exata do amor.
Naquela hora que o dia ainda não acabou, mas, que já vai indo, um pouco antes do espetáculo do sol.
Nessa hora, exatamente, nas tardes de domingo.
Eu saio
E assim que coloco meus pés nas ruas sou envolvido por cores e sons que chegam de todos os lados.
E toda aquela gente, aquele tráfego, minha mente se desprende.
Perdida em meio a tanta mistura.
Então derreto
E vou virando tudo
Escorrendo por cada testa, cada mão, cada sarjeta e bueiro, debaixo dos pés.
Vou sugando
E tudo em mim
E eu volto pra casa. Tiro o óculos escuro. E decido.
Que talvez a outra metade me faça lembrar de tudo
Outra vez

segunda-feira, junho 21, 2010

Conte-me

Tudo agora significa nada.
O propósito onde está?
Este teu jeito de sentar no sofá
De sorrir sozinho ouvindo uma música
O jeito que você escuta o teu som
Como joga tua mochila depois de um dia de trabalho
As tuas mãos sob a água fria da pia
O que está pensando enquanto espera o copo encher de água?
O primeiro pensamento, quando a chave gira o trinco.
Da tua porta
Da tua casa
Da tua vida
Qual é o propósito?
O lugar onde deixa teus pensamentos
O que você desprende primeiro?
A gravata?
Tua garganta?
O que há no teu banho?
O que é que a água leva?
Quando tuas mãos tocam os seus cabelos molhados
O que há pra tirar?
O teu jeito exato de parar diante o espelho
O tempo que leva?
Para deixar que tudo se desfaça
O teu jeito de sentar, assim despretensioso
Para que?
Qual o propósito?
Diga-me antes que seja tarde
Antes que a comida chegue, que a novela comece, que o sono venha
Eu preciso saber se.

quinta-feira, maio 06, 2010

Seco.

Eu estava relendo meu blog hoje.
Uma espécie de sentimento estranho desceu pela minha garganta, vagou pelo meu corpo e fez meus olhos transbordarem.
Lama vermelha e densa sobre meus pés
escorrendo pelos meus cabelos
E só eu via, dentro desta redação tão burocrática
O vermelho nítido que me cegava
E não reconheci muitos textos
Foi como se eu não tivesse escritos todos eles
Fiquei surpreso, assustado
Me senti pequeno e angustiado
Como pode?
Era como colocar a mão em vísceras e remexe-las mais fundo.
E depois veio uma paz profunda
Um silêncio melancólico
E a vontade de escrever mais uma vez
Nem que fosse apenas uma frase.
Uma palavra
E cheio do vermelho
Com as mãos em brasa
Eu não consegui.

segunda-feira, março 15, 2010

Rebelde sem causa

O que queres dizer, diga logo.
Seja breve.
Fale pausadamente, mas fale tudo.
Se tiver que chorar, chore agora.
Não tenha pressas, se tiver que brigar, lute até o fim.
A gente perde tempo demais pensando no que vai dizer
Perde tempo demais engolindo um choro dolorido
A gente perde muita batalha sem mesmo brigar.
Um dia alguém nos disse o que era preciso fazer
Alguém nos ensinou que “a vida é assim mesmo”.
Deram-nos segurança, disseram que éramos adequados e adaptados.
Alguém um dia nos ditou o que era belo
E aceitável.
Compraram-nos com um sorriso, um aceno, um olhar.
Disseram-nos o que era o certo
E então paramos de escolher.
Simples assim. Não escolhemos mais nada, das decisões mais simplórias as mais difíceis.
Sempre tem alguém para escolher por nós.
Isso é triste.
Enfadonho
Mais do mesmo.
Hoje eu me rebelo tardiamente
E decido que não quero mais caminhos pré traçados
Quero vertigem
Quero aventura
Quero escolhas
Sair sem precisar estar com o cabelo engomado, de barba feita.
Não quero a roupa da moda, hoje não.
O sapato e o telefone que todo mundo tem
Hoje eu não quero ir á academia e nem me preocupar se estou fora do circo que a estética se tornou.
Eu quero me ocupar com outras coisas.
Quero sentir a liberdade de escolher a roupa, o sapato, o jeito do meu cabelo.
Quero ligar para os amigos e falar qualquer coisa sem me importar se estarei sendo idiota ou inteligente.
Quero escolher.
O jeito que vou levantar da minha cama e o lado em que irei me deitar.
Quero a leveza e poder curtir minha vida. Minha vida escolhida.
Pois nesse momento, hoje, ela é exatamente como eu sonhei!

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

A eterna Volta

É um exorcismo necessário.
Acontece ao menos duas vezes por ano.
Eu volto.
Eu paro.
Eu arrumo uma mala bem bonita e vou.
Os dias que antecedem a viagem são dias enfadonhos, de ansiedade desnecessária, penso muito em não ir.
Em não voltar nunca mais. Mas eu volto.
Eu sempre volto.
E quando chego, depois de seis horas, sinto vontade de chorar, alivio, dor e arrependimento de estar lá, tudo isso misturado com a vontade enorme de ver minha mãe, tomar seu café e comer o pão caseiro feito só para mim, ainda quentinho em cima da mesa da cozinha.
Tudo continua igual nesta terra, os prédios só estão mais velhos, maltratados e mais sujos, as ruas mais esburacadas, mais gastas e mais quentes com o calor que nunca diminuiu.
Tudo parece ter parado no tempo. E o tempo corre arrastado.
A cidade que antes parecia tão grande hoje mal cabe nas minhas lembranças.
E são muitas as lembranças deste lugar. Em cada rua que passo, cada predio ou casa que olho, cada loja que entro... em todos os lugares, há uma parte de mim. Um pedaço da minha história.
E reencontrar isso, esses pedaços... não sei explicar, é tão dolorido.
Olhar para quem eu fui, ficar cara a cara com este cara que ainda vive lá, quietinho, me causa espanto.
É terrivel encontra-lo. E perceber o quanto somos diferentes e quanto de mim já não há mais nele.
Esse meu eu preso no passado é a minha maior verdade, meu mais pesado segredo.
E apesar da dor que é reencontra-lo sei que necessito dele.
Então eu volto.
Para sugar um pouco mais, para pegar um pouco mais desta fonte pura: a essência que me faz viver.
Ele é o melhor em mim.
E depois de alguns dias nessa viagem maluca dentro de mim, nesta cidade maldita, eu volto pra casa. Cheio dele.
Triste e feliz.
Sempre com a impressão que deveria ter sido menos cruel, que deveria ter aproveitado mais o sol e a vida que se vive lá.
Tendo a certeza que o que trouxe dele vai durar pouco, dois dias apenas até ser sugado pela mentira concreta que esta vida se tornou.
Então eu sigo.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

O ultimo post do ano. Ou: noites quentes

Sinto saudades de coisas que nunca vivi
De bocas que nunca beijei, lembro de jantares românticos que nunca existiram
Acordo sentindo o teu cheiro na cama que não cabe dois.
Eu não escrevi um livro e ganhei um pulitzer
Eu não canto e ja estive no emmy, sou um ator caricato e ganhei um oscar
Não beijei um vampiro e sou imortal.
Eu sou o tempo que dura um cigarro, a distância que um grito pode alcançar, sou uma brasa no escuro, a gota de suor na testa bronzeada
O tempo que dura uma noite, a musica da pista.
Os teus olhos fechados.
Eu sou o do espelho e moro invertido
E para me ter você vai ter que quebrar

sexta-feira, outubro 16, 2009

Um outro Lado

Há uma parte melhor em mim.
Essa parte é cheia de sons e cores
E fúria.
Ela é feita de música, cinema e letras.
Tudo misturado e ao mesmo tempo
Cores fortes, vermelho vivo
Tão nítido que chega a doer
Carrega o coração fora do peito
Queima
É minha parte melhor
Ama a vida e tudo ao redor
Seus olhos vêem quase tudo
E tudo o mais faz sentido
Pulsa
Essa parte gosta da madrugada
De guitarras e pandeiros
Ela vive só, mas não solitária
Ela ri de si o tempo todo
Tem um sorriso lindo
E faz dele o cartão de visita
É uma parte mais sincera, mais humana
Mais bonita
As vezes ela sai para a rua durante o dia
É notada, tocada e amada
É meu norte
O meu forte
Essa parte tão intensa é que eu mais gosto em mim.
E é ela, só ela, que eu procuro quando paro distraído diante ao espelho!

terça-feira, outubro 06, 2009

Minhas Urgências

Um desabafo, um segredo ao pé do ouvido
Talvez depois que eu terminar de escrever isso eu queime ou jogue em um rio de água correntes e claras.
Talvez eu coloque numa garrafa e jogue no mar.
Ou nada disso.
Tenho certas urgências
Preciso desesperadamente de um cigarro quando estou esperando: A sessão de um filme, na fila de qualquer coisa, uma ligação, ou quando estou flertando na balada.
Ridículo. Mas aos Trinta anos eu ainda preciso ter alguma coisa nas mãos.
Tenho urgência de uma leitura no metrô, uma revista, um livro ou mesmo um jornal.
Sem isso minha cabeça se desprende, meus pensamentos vão para lugares desconhecidos e crio mundos e histórias paralelas e ai é preciso uma caneta, um papel, um gravador, e não há.
Sou tomado então por um desespero e sucumbo.
Urgência de um óculos escuros em dias claros.
De uma coca cola estupidamente gelada no verão.
De ventilador e janelas fechadas.
Não serei hipócrita! As vezes urgências de fugir
Lsd, ecstasy ou até mesmo a boa e velha maconha.
De som alto, de loucura não roubada.
De um apartamento de 70 metros quadrados, um carro.
De uma mão sobre as minhas.
De um colo enquanto eu leio um livro.
De cantar alto no carro com janelas abertas.
De sorvete em dias gelados.
De, principalmente aos sábados, um beijo, um afago meu amor.
Urgências ou minha mente se desprende
E eu sucumbo

sexta-feira, setembro 25, 2009

Aquele Rapaz

Eu não sei. Ele tinha um jeito, assim, de lavar as mãos.
Ele esfregava suavemente uma sobre a outra, lentamente, enquanto se olhava no espelho da pia.
Não que fosse tão diferente de todo mundo que estava ali e fazia a mesma coisa
Mas havia alguma coisa nele que me chamou a atenção, eu estava na fila do banheiro e fiquei olhando aquela cena, aqueles olhos no espelho que me viram.
Talvez tenha sido isso, o olhar.
Alguma coisa naquele rosto claro, os cabelos quase loiros caídos na testa, as costas largas, meio desajeitado, lavando as mãos se olhando no espelho.
Como se fosse a única pessoa do bar, como se o mundo não existisse mais
Apenas ele.
O que será que ele pensava?
Eu podia ouvir o som abafado da musica alta e as risadas no salão.
Meus amigos me esperavam para dali irmos á outro lugar.
De repente, eu não sei, uma vontade maluca de falar com ele.
Ele fechou a torneira, secou as mãos brancas e saiu.
Pronto. Acabou.
Chegou a minha vez, depois minha hora na pia. Tentei fazer igual, olhando o espelho tentava inutilmente pegar alguma coisa dele...como se ele estivesse ali ainda.
Quase podia ouvir o som de seu coração.
Não sei se foi o jeito em que ele lavou as mãos
Ou olhar.
Sua beleza clara.
Eu não sei.
Quando eu voltei, meus amigos já tinham pago a conta, estavam de pé.
Eu estava um tanto mais sério, não o vi no salão, mas ele devia ainda estar por ali.
Tentei esboçar um sorriso, não consegui. Alguém falou alto alguma coisa engraçada, estávamos já saindo do bar quando de súbito um nó na garganta, uma vontade absurda de chorar.
Não sei se foram as mãos.
Na rua senti a brisa suave da noite de sábado.
Então entendi
Que ele era o rapaz mais triste do bar.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Do mais, nada demais

Ando tão afastado daqui
Das palavras
Dos sentimentos
Do gosto das coisas
Assim meio perdido, vago em mim
E me descubro
A cada dia um canto novo, que eu não conhecia, um olhar diferente no espelho antes de dormir.
Uma legião aqui dentro
Desconhecidos, inabitáveis, lugares escuros
Para onde eu tenho ido, em uma viagem sem volta
Ando por aí como se existisse uma fina camada de poeira sobre meus olhos que não me deixa ver claramente.
O sol da manhã (tão raro atualmente) queima minha pele branca
E apesar da chuva, da garoa, desses dias pesados, tenho tido noites quentes
Meu corpo em brasa
Manchando os lençóis
Todo dia quando acordo é preciso trocar a roupa de cama
O leito de um doente, a cama de amantes.
Nada disso
Eu
Apenas.
Sozinho em dias longos, em noites quentes, madrugadas silenciosas
Dentro de mim.
Uma auto descoberta
Sem fim
E sigo
Como se nada acontecesse
Mas te aviso:
Estou preste a explodir a qualquer momento
Assim
Como um vulcão.
Pelas paredes encardidas do apartamento claustrofóbico escorre uma lama densa, uma mistura de cores sons e mãos que me negam o afago.

terça-feira, setembro 01, 2009

Minhas confusões mentais

As vezes pela madrugada eu tento estancar o sangue

............

Eu queria escrever sobre tudo, eu queria eternizar o momento exato das coisas, eu queria contar neste papel que dentro de mim tem um bicho, uma coisa que queima.

Eu queria contar uma história, queria falar sobre a beleza de olhar a estrada pela janela do carro, enquanto no rádio toca tua música preferida.

Queria contar a hora exata da felicidade.


Eu queria dizer que o amor te fode por dentro, mas que é uma fodida gostosa.
Que é a praga do mundo, que a gente ama porque vicia, sem saber.
Porque amar é estar vivo.

E o amor te mata aos poucos cada dia.
A gente morre. Sempre...

Poder lhe mostrar que amar é estar no escuro e a gente não quer a luz.

É cocaína, é abismo.

O amor te corrompe, mancha a pureza. Queria dizer que não, não adianta, ninguém escapa, você vai amar e aí amigo...

To aqui, querendo ser escritor.

To aqui querendo te falar que o amor é uma angústia necessária...

Mas eu não vejo mais nada, então.

Eu sucumbo...

terça-feira, agosto 11, 2009

A viagem

Não sei que horas são.
Estou dentro deste ônibus, sentado sozinho, na poltrona da janela.
Há uma escuridão. Eu não vejo nada lá fora.
Apenas uma sombra desfocada de meu rosto no vidro.
È como se eu estivesse suspenso no tempo.
Estranho, penso. Dentro dessa viagem de seis horas, quando cai a noite e eu só vejo escuridão, sinto o momento presente.
Palpável como quase nunca consigo sentir
E me sinto desconfortável com isso. Sentir assim o momento presente tão vivo. Sem celular, nem qualquer tipo de ligação com o mundo externo.
O passado ficou lá na cidade de onde o ônibus saiu.
O futuro ainda não chegou, só quando entrar na marginal fedida, lotada de luzes e sons.
É o momento presente
Eu sozinho na poltrona, penso em tudo e em nada.
Pulso.
Ouço meu coração e todos os sons do meu corpo.
Ouço o silêncio em mim.
Este momento suspenso no tempo, no espaço
Sensação de que nada mais há.
Que nada mais resta
Somente esta noite, este instante preciso
Esta estrada escura.
Como se estivesse em outro plano.
Uma pausa na sequência da vida.
Penso somente no agora
E agora sou eu, sozinho na estrada, da vida
Com a mente vazia
E uma mala pequena
Lotada de sonhos.
Então, cansado de amores, do gosto que fica depois de tudo.
Eu adormeço.
Um pouco antes do destino final.

sexta-feira, julho 31, 2009

Rua Augusta

Não existe uma rua em nenhum lugar do mundo como a rua Augusta.
Eu nem conheço o mundo todo.
Não conheço nem o país todo.
Mas posso afirmar sem medo, que não existe uma rua como a Augusta.
Todas suas cores e sons.
Os néons que iluminam os passos de quem passa apressado pela rua.
Suas moças de maquiagem pesada, busto firme, saia curta e salto alto.
Os salões de beleza que ficam abertos noite adentro.
Sua lojas, mercados e uma infinidade de butecos.
Um dos melhores cinemas da cidade está ali.
Há uma faculdade também.
Uma antiga loja de chapéu.
As baladas alternativas, de rock, eletrônica, pop.
Ali se reúne toda sorte de gente.
As garotas de cabelos coloridos e brincos no nariz.
Os meninos moderninhos de calças apertadas e blusas coloridas.
Os rapazes do rock, as meninas da moda.
Os antenados, viciados, poetas, escritores, jornalistas, atrizes, vendedores ambulantes, bêbados, modelos, secretárias, executivos, prostitutas, estudantes, patricinhas, caretas, músicos, mendigos...
Tudo junto e ao mesmo tempo.
Existe entre os freqüentadores um tipo de pacto silencioso, secreto. O que acontece na Augusta fica na Augusta.
Eu ando pela Augusta todos os dias e não consigo parar de pensar no fascínio que a rua desperta em mim.
Gosto da calçada, mesmo suja, dos butecos, das casas noturnas e da loja de discos.
Gosto da cerveja sempre gelada e da Pizza na madrugada...
A Augusta já foi música, entraram a 120 por hora
Eu entrei devagar, desapercebido pra nunca mais sair!
E como eu já disse: Não adianta, não vamos discutir.
Não há em nenhum lugar do mundo uma rua como a minha.

terça-feira, julho 21, 2009

De Novo. De novo. Novo. De.

Nem sei quantas vezes eu me reiventei.
Quantas vezes morri e nasci de novo.
Sempre os mesmo erros
Do mesmo jeito
Igual.
É impressionante o dom que eu tenho para me sabotar
Você não acreditaria.
Eu sempre dou um jeito de tirar meu carro da estrada
De afundar minha canoa
De levar minha vaca para o brejo.
Não me pergunte porque
Eu não tenho a resposta.
Não aprendi ainda a lidar comigo
A lidar com minha solidão
Um dia quem sabe, não sei
talvez eu aprenda
Assim, de repente acorde numa noite quente e decida
Decida nunca mais me cortar.

Penso, sentado neste banheiro imundo, que um dia vai parar.
Será possível então estancar todo esse sangue que escorre dos meus braços pela minha pele branca.
Um dia vai cessar
A dor.

terça-feira, julho 14, 2009

Carta.

Amigo,

Um misto de Dor e paz.
A vida doméstica anda confusa. Como cantou Calcanhoto:
"Eu perco a chave de casa, eu perco o freio, estou em milhares de cacos, estou ao meio..."
Dividido. Uma parte de mim tá cheio de fé, esperançoso, a vida é boa dona canoa.
Outra parte é só lama, sente medo e quer voltar pro ventre.
A torneira da pia quebrou. Há mais de um mês. Quebrei o vidro da porta em uma faxina desastrosa. Minhas chaves sumiram. A grana acabou e ainda não é dia 15...
Ando carente pra caralho. Achando esse papo de viver sozinho e se bastar uma bosta.
Quero um amor que seja bom pra mim. Sabe? Com direito a música brega para embalar as tardes de ausência.
Cheio de bares. Das pessoas na noite. Nas ruas.
Impressão que os dias se repetem...
E misturado a isso tudo, uma fé absurda, infantil. Uma esperança quase ilusória de uma vida boa. De um dia melhor. De estar caminhando.
De.

É amigo, o tempo corre e como vê, eu ainda confuso.
Me sinto um estrangeiro em minha própia terra, meu própio mundo.
Toda vez que falo com minha mãe no telefone a mesma ladainha "tem que tratar essa depressão meu filho, isso dá câncer".
A minha eu curo em bares, noites que duram dois dias e 15 horas de trabalho diário.

Enfim, ando irritado, cansado, com sono e sem nenhuma vontade de escrever. Achei que devia te contar isso, justificar minha ausência...

Te beijo na testa,

P.s Tenho escutado bastante coisas velhas da calcanhoto. E sempre gosto.

terça-feira, junho 23, 2009

Carta à Minha Sobrinha Ou: Um clichê.

Minha querida, minha amada.
A vida é um amontoado de clichês.
Não se iluda, não se irrite.
Sei que nem vai ler esta carta agora, vou guarda-la no cofre.
O teu cofre de quinquilharias que diz que vai abrir só quando fizeres 15 anos.
Quero te dizer que tua mãe está certa quando te diz "tenha calma".
O mundo não precisa de mais pressa, meu amor.
Você vai descobrir que não dá para ser maduro aos 16, 17, 18 nem mesmo aos 21!
Vai perceber que seus pais estavam certos (quase sempre estão)
Que o amor acaba. Que a festa acaba. Que ser adulto é um porre.
Você vai ser magoada bem mais do que gostaria.
E vai magoar bem mais do que deveria.
Vai descobrir que não sabia nada da vida, mesmo tendo certeza do contrário.
A gente sempre muda e sempre aprende algo novo.
Que se encontrar é uma tarefa árdua.
Que dói viver
Que dói amar.
Que a morte existe e é uma das coisas mais doloridas do mundo.
Saberás do que uma ausência é capaz.
Que maconha é bom, embora seja ilícita.
Ficar acordada a noite toda na balada é uma delicia
Mas a vida corre e como já disse, a festa acaba.
Vai entender perfeitamente o que Caetano Veloso quis dizer com:
"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".
E a gente só sabe o que a gente é, quando a gente é de fato.
Quando a gente se aceita, mesmo sabendo que carregamos um mundo horrível dentro de nós.
Você só consegue descobrir a delicia e a dor de ser você, quando se entende e admite ser falho, farrapo, nada.
É preciso se curtir. E para ter tempo de se curtir é preciso deixar a vida do outro de lado.
Espiar da janela é função dos medíocres
Ser um humano é uma coisa terrível.
E, é também a coisa mais fantástica, divina, espetacular de ser.
Minha amada tenha orgulho de sua mãe, eu nunca disse isso para ela, ela é uma mulher fantástica!
Na nossa família o poder sempre veio das mãos dessa mulheres que nos cercam.
Elas são nossa base, nosso sangue, nossa força, nosso exemplo.
Minha pequena eu te amo. E não deixe nunca de acreditar nisso.
Você é o frescor, o sol, o novo, a outra era.
Siga teu caminho lindo. Crescer não será fácil
Será a aventura mais visceral que viverá. Saiba disso
E fique atenta.
Porque o tempo vem voando, uma faca de dois gumes, destruindo e construindo tudo.

Te beijo na testa, Com amor.

terça-feira, junho 16, 2009

A vida arrebenta

Assim mesmo, sem aviso, sem tempo de segurar.
O fio frágil que sai da planta da cabeça e nos deixa suspenso nesse lugar chamado mundo, arrebenta.
Como um copo que se quebra
A vida se desfaz em cacos.
Pode acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar com qualquer um.
Agora mesmo enquanto escrevo, alguém deve estar arrebentando.
Pode ser por causa de um telefonema.
De uma despedida
Pode ser que acabou um relacionamento
Que tenha perdido o emprego
Que tenha perdido um amigo querido.
Que a morte tenha chegado bem próxima
Pode ser por muita coisa. Pequena ou grande, ela arrebenta
Tão frágil, um sopro.
De repente tudo que você conhece como verdade, como mundo, como amor, como vida...ACABA.
E ai, o que fazer agora? Eu não sei.
Tudo que eu acreditava, o caminho onde eu estava, as minhas vontades, tudo mudou sem que eu quisesse.
Sem que eu estivesse pronto. Quem é que está?
Tenho vivido uma fase nova, estranha, um outro sabor.
O mundo a minha volta desmorona.
Os meus amigos estão tristes
Tenho chorado com eles ao telefone.
O mundo a minha volta está negro
Quem sabe não é um sinal?
Talvez, não sei.
Talvez eu tenha que parar de olhar para o meu umbigo.
A gente olha tanto para dentro que esquece que fora tem tanta gente legal, tanta gente precisando de um afago. De afeto.
E, é pra já, hoje. Agora
Porque a vida, ah a vida!
Ela arrebenta.

quinta-feira, junho 04, 2009

Eu preciso de Deus

Eu quero rezar toda noite
Que me perdoem os incrédulos
Mas eu quero ir á igreja ficar de joelhos e chorar nos pés de Deus.
Quero um anjo ao meu lado
Sentir-me abençoado cada manhã ao levantar.
Quero carregar meu menino Jesus no peito.
Quero me despir de tudo
Do meu orgulho, meu egoísmo, minha inveja, minha maldade, meu desejo.
Quero estar nu diante do Santo.
Ter o amor divino, ser embalado durante o sono...
Sentir a presença do espírito.
Encher minha sala de Paz.

Desculpe-me os autos suficientes, os donos da razão e verdade absoluta. Eu me entrego.
E declaro que menino que sou eu preciso toda noite, antes de dormir, do colo de Deus!

domingo, maio 31, 2009

Domingo.

Só porque é domingo
Só porque estou um tanto melancólico.
No trabalho... enfiado dentro desta sala...
Só por isso eu vou postar um poema que amo do E.E Cummings.

Acho lindo, Acho Clichê e ainda vou dedicar para alguém... ah vou!


Carrego o teu coração comigo

Carrego o teu coração comigo (carrego-o no meu coração)
Nunca estou sem ele (onde eu vou tu vais, querida; e o que é feito só por mim és tu que fazes, meu amor)
Eu não temo nenhum destino (tu és o meu destino, meu doce)
Eu não quero outro mundo (pela tua beleza ser o meu mundo, minha verdade)
E tu és seja o que for que a lua signifique e o que quer que o sol cante sempre és tu
Aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe (a raiz da raiz e o broto do broto e o céu do céu da árvore chamada vida; a qual cresce mais alto do que a alma espera ou a mente esconde)
E este é o milagre que mantém as estrelas separadas

Carrego o teu coração (carrego-o no meu coração)