Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Um outro Lado

Há uma parte melhor em mim.
Essa parte é cheia de sons e cores
E fúria.
Ela é feita de música, cinema e letras.
Tudo misturado e ao mesmo tempo
Cores fortes, vermelho vivo
Tão nítido que chega a doer
Carrega o coração fora do peito
Queima
É minha parte melhor
Ama a vida e tudo ao redor
Seus olhos vêem quase tudo
E tudo o mais faz sentido
Pulsa
Essa parte gosta da madrugada
De guitarras e pandeiros
Ela vive só, mas não solitária
Ela ri de si o tempo todo
Tem um sorriso lindo
E faz dele o cartão de visita
É uma parte mais sincera, mais humana
Mais bonita
As vezes ela sai para a rua durante o dia
É notada, tocada e amada
É meu norte
O meu forte
Essa parte tão intensa é que eu mais gosto em mim.
E é ela, só ela, que eu procuro quando paro distraído diante ao espelho!

Terça-feira, Outubro 06, 2009

Minhas Urgências

Um desabafo, um segredo ao pé do ouvido
Talvez depois que eu terminar de escrever isso eu queime ou jogue em um rio de água correntes e claras.
Talvez eu coloque numa garrafa e jogue no mar.
Ou nada disso.
Tenho certas urgências
Preciso desesperadamente de um cigarro quando estou esperando: A sessão de um filme, na fila de qualquer coisa, uma ligação, ou quando estou flertando na balada.
Ridículo. Mas aos Trinta anos eu ainda preciso ter alguma coisa nas mãos.
Tenho urgência de uma leitura no metrô, uma revista, um livro ou mesmo um jornal.
Sem isso minha cabeça se desprende, meus pensamentos vão para lugares desconhecidos e crio mundos e histórias paralelas e ai é preciso uma caneta, um papel, um gravador, e não há.
Sou tomado então por um desespero e sucumbo.
Urgência de um óculos escuros em dias claros.
De uma coca cola estupidamente gelada no verão.
De ventilador e janelas fechadas.
Não serei hipócrita! As vezes urgências de fugir
Lsd, ecstasy ou até mesmo a boa e velha maconha.
De som alto, de loucura não roubada.
De um apartamento de 70 metros quadrados, um carro.
De uma mão sobre as minhas.
De um colo enquanto eu leio um livro.
De cantar alto no carro com janelas abertas.
De sorvete em dias gelados.
De, principalmente aos sábados, um beijo, um afago meu amor.
Urgências ou minha mente se desprende
E eu sucumbo

Sexta-feira, Setembro 25, 2009

Aquele Rapaz

Eu não sei. Ele tinha um jeito, assim, de lavar as mãos.
Ele esfregava suavemente uma sobre a outra, lentamente, enquanto se olhava no espelho da pia.
Não que fosse tão diferente de todo mundo que estava ali e fazia a mesma coisa
Mas havia alguma coisa nele que me chamou a atenção, eu estava na fila do banheiro e fiquei olhando aquela cena, aqueles olhos no espelho que me viram.
Talvez tenha sido isso, o olhar.
Alguma coisa naquele rosto claro, os cabelos quase loiros caídos na testa, as costas largas, meio desajeitado, lavando as mãos se olhando no espelho.
Como se fosse a única pessoa do bar, como se o mundo não existisse mais
Apenas ele.
O que será que ele pensava?
Eu podia ouvir o som abafado da musica alta e as risadas no salão.
Meus amigos me esperavam para dali irmos á outro lugar.
De repente, eu não sei, uma vontade maluca de falar com ele.
Ele fechou a torneira, secou as mãos brancas e saiu.
Pronto. Acabou.
Chegou a minha vez, depois minha hora na pia. Tentei fazer igual, olhando o espelho tentava inutilmente pegar alguma coisa dele...como se ele estivesse ali ainda.
Quase podia ouvir o som de seu coração.
Não sei se foi o jeito em que ele lavou as mãos
Ou olhar.
Sua beleza clara.
Eu não sei.
Quando eu voltei, meus amigos já tinham pago a conta, estavam de pé.
Eu estava um tanto mais sério, não o vi no salão, mas ele devia ainda estar por ali.
Tentei esboçar um sorriso, não consegui. Alguém falou alto alguma coisa engraçada, estávamos já saindo do bar quando de súbito um nó na garganta, uma vontade absurda de chorar.
Não sei se foram as mãos.
Na rua senti a brisa suave da noite de sábado.
Então entendi
Que ele era o rapaz mais triste do bar.

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Do mais, nada demais

Ando tão afastado daqui
Das palavras
Dos sentimentos
Do gosto das coisas
Assim meio perdido, vago em mim
E me descubro
A cada dia um canto novo, que eu não conhecia, um olhar diferente no espelho antes de dormir.
Uma legião aqui dentro
Desconhecidos, inabitáveis, lugares escuros
Para onde eu tenho ido, em uma viagem sem volta
Ando por aí como se existisse uma fina camada de poeira sobre meus olhos que não me deixa ver claramente.
O sol da manhã (tão raro atualmente) queima minha pele branca
E apesar da chuva, da garoa, desses dias pesados, tenho tido noites quentes
Meu corpo em brasa
Manchando os lençóis
Todo dia quando acordo é preciso trocar a roupa de cama
O leito de um doente, a cama de amantes.
Nada disso
Eu
Apenas.
Sozinho em dias longos, em noites quentes, madrugadas silenciosas
Dentro de mim.
Uma auto descoberta
Sem fim
E sigo
Como se nada acontecesse
Mas te aviso:
Estou preste a explodir a qualquer momento
Assim
Como um vulcão.
Pelas paredes encardidas do apartamento claustrofóbico escorre uma lama densa, uma mistura de cores sons e mãos que me negam o afago.

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Minhas confusões mentais

As vezes pela madrugada eu tento estancar o sangue

............

Eu queria escrever sobre tudo, eu queria eternizar o momento exato das coisas, eu queria contar neste papel que dentro de mim tem um bicho, uma coisa que queima.

Eu queria contar uma história, queria falar sobre a beleza de olhar a estrada pela janela do carro, enquanto no rádio toca tua música preferida.

Queria contar a hora exata da felicidade.


Eu queria dizer que o amor te fode por dentro, mas que é uma fodida gostosa.
Que é a praga do mundo, que a gente ama porque vicia, sem saber.
Porque amar é estar vivo.

E o amor te mata aos poucos cada dia.
A gente morre. Sempre...

Poder lhe mostrar que amar é estar no escuro e a gente não quer a luz.

É cocaína, é abismo.

O amor te corrompe, mancha a pureza. Queria dizer que não, não adianta, ninguém escapa, você vai amar e aí amigo...

To aqui, querendo ser escritor.

To aqui querendo te falar que o amor é uma angústia necessária...

Mas eu não vejo mais nada, então.

Eu sucumbo...

Terça-feira, Agosto 11, 2009

A viagem

Não sei que horas são.
Estou dentro deste ônibus, sentado sozinho, na poltrona da janela.
Há uma escuridão. Eu não vejo nada lá fora.
Apenas uma sombra desfocada de meu rosto no vidro.
È como se eu estivesse suspenso no tempo.
Estranho, penso. Dentro dessa viagem de seis horas, quando cai a noite e eu só vejo escuridão, sinto o momento presente.
Palpável como quase nunca consigo sentir
E me sinto desconfortável com isso. Sentir assim o momento presente tão vivo. Sem celular, nem qualquer tipo de ligação com o mundo externo.
O passado ficou lá na cidade de onde o ônibus saiu.
O futuro ainda não chegou, só quando entrar na marginal fedida, lotada de luzes e sons.
É o momento presente
Eu sozinho na poltrona, penso em tudo e em nada.
Pulso.
Ouço meu coração e todos os sons do meu corpo.
Ouço o silêncio em mim.
Este momento suspenso no tempo, no espaço
Sensação de que nada mais há.
Que nada mais resta
Somente esta noite, este instante preciso
Esta estrada escura.
Como se estivesse em outro plano.
Uma pausa na sequência da vida.
Penso somente no agora
E agora sou eu, sozinho na estrada, da vida
Com a mente vazia
E uma mala pequena
Lotada de sonhos.
Então, cansado de amores, do gosto que fica depois de tudo.
Eu adormeço.
Um pouco antes do destino final.

Sexta-feira, Julho 31, 2009

Rua Augusta

Não existe uma rua em nenhum lugar do mundo como a rua Augusta.
Eu nem conheço o mundo todo.
Não conheço nem o país todo.
Mas posso afirmar sem medo, que não existe uma rua como a Augusta.
Todas suas cores e sons.
Os néons que iluminam os passos de quem passa apressado pela rua.
Suas moças de maquiagem pesada, busto firme, saia curta e salto alto.
Os salões de beleza que ficam abertos noite adentro.
Sua lojas, mercados e uma infinidade de butecos.
Um dos melhores cinemas da cidade está ali.
Há uma faculdade também.
Uma antiga loja de chapéu.
As baladas alternativas, de rock, eletrônica, pop.
Ali se reúne toda sorte de gente.
As garotas de cabelos coloridos e brincos no nariz.
Os meninos moderninhos de calças apertadas e blusas coloridas.
Os rapazes do rock, as meninas da moda.
Os antenados, viciados, poetas, escritores, jornalistas, atrizes, vendedores ambulantes, bêbados, modelos, secretárias, executivos, prostitutas, estudantes, patricinhas, caretas, músicos, mendigos...
Tudo junto e ao mesmo tempo.
Existe entre os freqüentadores um tipo de pacto silencioso, secreto. O que acontece na Augusta fica na Augusta.
Eu ando pela Augusta todos os dias e não consigo parar de pensar no fascínio que a rua desperta em mim.
Gosto da calçada, mesmo suja, dos butecos, das casas noturnas e da loja de discos.
Gosto da cerveja sempre gelada e da Pizza na madrugada...
A Augusta já foi música, entraram a 120 por hora
Eu entrei devagar, desapercebido pra nunca mais sair!
E como eu já disse: Não adianta, não vamos discutir.
Não há em nenhum lugar do mundo uma rua como a minha.