quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Para onde? ou: Eu já fui Jovem

Para onde vão os sonhos?
Que caminho?
Que trilha é essa?
Para onde vamos?
Todos nós?
Onde ficam as noites aquecidas?
Sentados bem em frente à lareira
Para onde vão as conversas, depois do vinho, das imagens, de tudo que vivemos?
Lembro-me de noites (quarenta graus) olhando pela janela, fechando um livro, desligando a tv.
Lembro-me de pensar: “Sei exatamente onde quero estar”.
Por onde anda os amores?
Os amantes?
Faz tanto tempo
Que às vezes acho que me esqueci.
Esqueci o que é ser jovem demais.
Jovem demais para morrer.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Medos & Pensamentos

Toda vez que olho as pessoas nas ruas eu penso.
Penso em coisas que não deveriam ser pensadas.
Penso quanto tempo ela gastou pra calçar aquelas sandálias verdes combinado com a blusa.
O tempo que ele demorou para dormir na noite anterior.
Se tinha alguém olhando para o céu no mesmo momento que eu olhava.
Penso tanto que perco fôlego.
Tenho medo da morte.
Medo de morrer dormindo
De levar um tiro.
De ser contaminado por uma doença fatal.
Medo.
No carro quando paro no semáforo da Rebouças eu penso na história do motorista ao meu lado.
De onde ele vem? Pra onde ele vai?
Fico tentando arrumar a casa, a vida, colocar os livros em ordem.
Tentando não sair, não beber.
Tentando não pensar em ácido, erva, pó.
Tentando ter uma vida mais saudável.
A dieta que nunca acontece.
Sinto raiva de muitos.
Às vezes sinto raiva de onde estou. Crio um ódio só para me sentir vivo.
E penso se já não estou morto.
Penso que o mundo às vezes para.
Tenho medo da amargura em mim.
Tenho medo do amor em mim
Às vezes na sacada as três da manhã penso em me jogar feito uma boneca de pano.
Terá secado?
Penso onde foi que me perdi.
E que não sei cuidar de mim.
Penso que isto tudo é uma baboseira.
Espaçosa que me aflige.
Penso em tudo e em nada.
No ar nos meus pulmões, no meu cabelo torto.
No piercing que caiu.
Penso tanto que sucumbo.
Medo de não acabar nunca
De não conseguir vomitar. Por pra fora esta angústia sabe Deus lá do que...
Ai, eu penso em Deus
E desisto...

sábado, fevereiro 23, 2008

Sábado chuvoso.

Os meus pés sempre ficam sujos enquanto todos os outros estão limpos.
Uso tênis Branco em dias chuvosos.
Durmo com a luz do banheiro acesa.
Tenho medo de escuro e altura.
Fumo muito e as vezes sozinho na fila do cinema finjo falar no celular.
Só para espantar a Solidão.
E para espantar a solidão finjo ser minha, a vida das personagens que leio.
E leio muito
Choro assistindo "Frida" e assisto sempre.
Sou cruel comigo e com os outros.
Destruo tudo com uma velocidade e facilidade invejável.
Tenho caixinhas onde guardo amigos e amores.
Tenho feridas exposta e todo mundo coloca o dedo.
Não tenho rosto.
Carrego o mundo nas costas, dentro de uma mochila laranja.
É facil me encontrar na rua, sempre tarde da noite, sentado em algum buteco tomando cerveja barata e com olhos brilhantes.
Sou tudo aquilo que restou do menino que era o unico que não tinha estojo de metal no colégio.
E nada mais.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Um banho qualquer

Apesar do dia quente encho a banheira de água morna
Só porque falta um dia para voltar para casa.
Estou cansado, meio desanimado e com a noite toda pela frente para pensar em coisas que nunca deveriam ser pensadas.
Jogo todo o pacote de sais comprado na lojinha de shopping. "Relaxante" foi o que disse a vendedora para me convencer a trazer quase um quilo.
Me deito. Coloco kings Of Convinience para ouvir. Abro o livro de Fernanda Young, o único que não li. Acho chato. Óbvio demais, repetido...
Vou relaxando... deixo o livro de lado. Quase esqueço o que estou fazendo aqui neste hotel onde tudo é impessoal demais, como qualquer hotel em qualquer parte do mundo.
Minha mente vai ficando vazia... o mundo parece ser composto pelo teto branco, a banheira cinza e minha unha do pé direito mal cortada.
Vou ficando mole demais olho a fumaça que vai invadindo o banheiro, é um cenário de um filme "b". Afinal qual personagem enche a banheira de água morna, quase quente, numa cidade com um clima como esse? Numa noite quente como essa?
Fato é que estou relaxado demais e meu corpo todo vai ficando mole... tudo parece não fazer sentindo algum, muito menos a unha mal cortada.
Suspendo meus braços... mente vazia...penso que sensação assim só sentia nos tempos de faculdade depois de queimar "um".
Ficava relaxado demais, e depois de toda a euforia inicial meu corpo todo se desfazia como se estivesse imerso em água morna e eu não tinha mais vontade de pensar em nada.
Derreto.
E assim derretido o mundo pode parar.
A sensação é boa. E apesar da noite quente, da vontade de voltar para casa, da carência afetiva, do cansaço, penso que seria bom fumar maconha.
Apesar dos trinta.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Noticias de BH

Cena 1 interna. Dentro de uma grande rede de supermecados. Quatro amigos, duas meninas e dois rapazes tentam decidir o que levar para matar a fome no final de domingo sem graça. Eles estão parados no imenso corredor de chocolates.
Depois de alguns segundos de silêncio ele diz:
- Já entendi a mensagem do "extra"
-Que mensagem...GENTE!
- o "extra" é igual em qualquer cidade...as mesmas coisas... o mesmo cen ário, a mesma disposição de mercadorias(olha em volta contemplando) é isso. A mensagem subliminar é: Não importa em que lugar você esteja no "extra" você sempre se sente em casa!

Cena 2 interna. Quarto de Hotel.
Eles, os moços, assistem tv.

-Será que se eu dormir sem escovar os dentes depois de comer uma "bono" chocolate branco vai passar barata na minha boca?
-NÃO. Estamos no vigésimo andar. elas não chegam até aqui...
-É...
- O problema são as cáries....
-ahahahahhahahahahahahhahahahahahhaha.

-toda vez que to assim penso em me jogar daqui...
-todo mundo pensa em se jogar depois disso, ou uma vez por dia, pelo menos...
-se eu me jogasse agora eu nem sentiria dor, acho.
-você pensaria "ui que vento"...
-ahahahhahahaha...mas não me jogarei, hoje é um péssimo dia para se morrer. Segunda feira.
-pode-crê.
(silêncio)
-será que a Marília Gabriela ja tentou se matar?
- acho que o gianechinni pensava em se matar todo dia pela manhã quando acordava do lado dela. ela é feia produzida. deve ser um monstro acordando...
-ahahahahahahhaha. vou escovar os dentes, esse lance de baratas me deixou encanado
....

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Plataforma de petróleo. Ou: Me responda, se estiver ai

Você já pensou assim e desistiu?
Já esteve no colo de quem você desejou e se sentiu só?
Já jantou?
Já dançou?
Já tocou a boca que você queria?
E se sentiu só.
Já chorou assim compulsivamente depois de um filme?
Já teve vontade de dizer de fato como se sentia?
Violado, cansado, cheio de cicatrizes, com medo de se afogar nas mesmas historias, sem bóias ou salva vidas.
Já se sentiu assim?
É como estar numa plataforma de petróleo, onde o mar encontra a escuridão....
Já quis soltar sem querer?
Já quis deixar sem soltar?
Já?
Já teve medo de ser só?
De tuas lagrimas inundarem teu quarto, a rua, o bairro o mundo?
De teus pensamentos serem formigas e serem esmagados com um All Star?
Já teve medo?
Já engoliu mais de uma vez?
Já?
Esse teu nó? Essa coisa na tua garganta.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Para ler quando partir

Eu ainda sou um fardo pesado demais para você carregar.
Há ainda pedaços de carnes.
De outros, um passado recente.
Pedaços vermelhos sobre minha pele branca.
Acenda meu cigarro.
É claustrofóbico viver dentro de mim
Não esqueça tuas meias brancas
Sinto náuseas no escuro que me envolve
Tenho medo de dormir sozinho.
Encha meu copo, um último gole
Olhe para mim
Sei que sou resto de outras histórias
De todas que carrego comigo
Minhas costas doem
Não esqueça tua jaqueta jeans, tá frio.
Vivo aqui nesta floresta onde tudo ao meu redor está morto.
É a minha floresta particular.
Onde me perco.
Olha… Teu cd, não te esqueça. Vai precisar dele quando sair em disparada pela rua vazia
Quando estiver no semáforo fechado vai querer ouvir mais uma vez a música.
A nossa.
Não tente entender nada. São só palavras vazias.
Eu ainda fico um pouco mais.
É preciso estancar o sangue. É preciso não sentir medo.
Eu fico.
Saia devagar, não me diga nada. Beije minha testa.
E feche a porta.
Ficarei aqui sentado sobre os lençois brancos
Enquanto a parede azul atrás de mim desmorona…

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Depois do jantar, Um funeral (antigo que gosto muito

No dia da minha morte prepare margaridas, grandes, amarelas e brancas.
Não deixe que me pintem muito.
Não quero parecer um palhaço, nem corado ou saudável demais, afinal quem se importa?
Peça para me vestirem claro.
Uma bata branca bonita, uma calça larga e com as barras desfiadas, cubra meu corpo de margaridas, e não desça a tampa, não ainda.
Deixe uma música suave, pode ser Bjork. Deixe tocar uma música até o fim. Odeio o silêncio de funerais, odeio o barulho das moscas e a tosse da tia velha.
Se alguém sentir vontade de dançar que dance. Sirva taças de vinho tinto seco.
Um funeral regado à vinho.
No meu livro da morte, não escreva teu nome.
Me escreva poemas.
Se alguém sentir vontade de chorar, que chore manso.
Reunam- se todos vocês amigos e contem histórias engraçadas sobre mim.
O meu testamento será pouco, alguns livros, uns poemas, umas canções.
Deixo para poucos também
Os que me conhecem exato.Na minha mais estranha doçura.
No dia do fim estará chovendo, não deixe que ninguém use guarda chuva. Acho lindo em funerais todos estarem vestindo capas de chuva.
Não deixe que eu vire rei, santo, ou jovem demais para morrer.
Paras os que não me conhecerem me descreva como fui.
Sem aumentar ou exaltar minha dignidade.
Diga que não fui um bom menino.
Mas passei longe de ser do mal.
Diga que vivia assim oscilando ali bem na beira do abismo.
Que as vezes dava medo de ver, mas que era bonito... Ah! isso era.
Receberá telefonemas de amigos distantes. Diga que está tudo bem.
No dia do meu funeral, haverá uma calmaria, um trânsito leve, uma garoa fina.
As pessoas sentirão uma paz, um silêncio gostoso.
E assim meio triste e até melancólico,você dirá baixinho quase sussurrado no jardim bonito que terá preparado:"Um dia assim, nem combina com a cidade caos."
Escreva meu epitáfio, uma frase solta quase esquecida.
Depois acenda um cigarro, dê uma tragada funda e fique um tempo mais comigo mesmo que a porta já tenha se fechado. E todos terem ido.
Fique comigo.
Tire seus sapatos sinta a chuva no teu peito e assim com os pés na terra molhada saia devagar, se der levante a cabeça e sorria.
E deixe que a chuva leve tudo ainda que restou

terça-feira, janeiro 29, 2008

A infância do Joãozinho.

O problema é ter uma vida de "Rock Star".
Não, o problema é ter uma vida de "Rock Star" e não ser um.
...
Os professores diziam, os amiguinhos diziam. Todos ao redor diziam: "Você tem talento".
Ele gostava de escrever, gostava de passar as noites preso no quarto, debruçado sobre seu fichário quase feminino. Escrevendo sobre tudo que achava que entendia.
Ele ainda menino, nem tão inocente e longe da amargura da vida, achava que tinha sofrido demais e escrevia.
"o poeta é um fingidor" repetia mil vezes pra si mesmo enquanto dissertava sobre dores que ele ainda nem sentia.
Achava mesmo que aprendera a fingir cedo demais, criar pra si uma outra vida quase como num conto infantil, um mundo paralelo cheio de personagens quase sempre bem mais interessantes que aqueles que fazia parte da vida fora do quarto.
E no dia seguinte, no colégio, as meninas eufóricas pelo texto novo escrito pela madrugada. "Lindo!" "Posso copiar?" "Quero mandar para o juninho"
E ele sonhava, desejava e acreditava naquilo tudo. Em tudo que o papel lhe dizia.
E Lia, lia tanto que já naquela época perdia noites de sono só para terminar o livro logo.
Seguia assim o menino lá do interior, promissor. Era sem dúvida, dizia a professora de portugês da sexta série, um jovem escritor...
Mas no meio do caminho uma curva, o vento que mudou de rumo, uma pedra que bateu na janela, um soluço tardio, um pé torcido.
Um grito entalado na garganta.
Ele virou bancario

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Depois do Vinho

Tenho vontade de ter asas
Sair voando em silêncio pela janela de casa, olhando a cidade de cima.
Vontade de ser oceano e sair inundando tudo.
Não posso.
Então fecho os olhos no escuro e coloco um cd de Nara Leão. Me deito no chão
E encho minha cabeça de cores.
Imagino que sou leve e que caio como gota na testa das pessoas
Sou engolido devagar com a ponta da lingua.
Só para entrar bem fundo e brincar de ser Deus, duende ou fada.
Remexo em tudo, tiro tudo do lugar, peça por peça.
Para me reencontrar em cada mão, sombrancelhas, gestos imprecisos.
Roubar pra mim minha cada história.
Só para depois, dissimulado, cuspir tudo em um papel...

Fábula (só pq eu gosto muito deste)

Mora um monstro dentro da minha pia.
Ouço barulhos que vem de lá
Acredito que ele esteja chorando, de solidão ou angústia.
As vezes eu choro também e sei que ele pode me ouvir
Os outros moradores da casa desconhecem a existência dele.
O que o torna meu. Único e exclusivo monstro.
Sei que ele deve ser feio, até mesmo gosmento
Durante a madrugada ouço seus passos pela casa adormecida
Ele vem até meu quarto, quer me dizer coisas belas e sujas.
Fico bem quieto, fingindo dormir.
Tenho vontade que ele me toque
Embora o cheiro me fere as narinas.
Tenho medo de abrir os olhosE encara-lo.
Ele é triste e sozinho.
Belo por dentro
Aprisionado em tanta feiúra.
Eu o amo em segredo
Ele me ama em segredo.
Apesar de moramos juntos e desejarmos as mesmas coisas, de sonharmos os mesmos sonhos
De fazermos parte da mesma pia, não nos temos.
Preconceito meu.
Preconceito do monstro.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Uma histórinha. Ou mais sobre as formas do amor

São dez horas da manhã. O sol escaldante queima a cidade caótica.
Tanto calor nem combina com a cor cinza desta cidade.
Enquanto saio do banheiro tentando achar uma roupa decente para vestir lembro-me de ter lido em algum lugar que este ano será o ano de marte.
Sem saber o que isso quer dizer tento acordar sem querer, viver sem vontade.
O quarto está parecendo um campo de batalha e há roupas e jornais antigos jogados pelo chão. Os pés dela ainda continuam na mesma posição. Ela ainda continua na mesma posição, de bruços, a única coisa diferente dos outros dia é este vermelho nítido nos lençóis...
A casa toda parece ter sobrevivido a um furacão. Bitucas de cigarro, latas de cerveja vazias, sobras de uma noite festiva que parece tão distante agora. Em que século mesmo?
O sol entra cortando a escuridão da pequena cozinha, louça de muitos dias na pia.
E eu sem vontade tentando achar uma roupa... um jeans qualquer, um all star velho...
Vontade de ligar e dizer que hoje não vou, nem hoje nem nunca mais.
A cidade acontece lá embaixo. Trânsito, gente feliz, gente correndo, telefones que tocam, amigos que se encontram para um café tardio.
E eu só penso em parar.
Encontro a roupa qualquer, não penteio os cabelos e saio. No elevador penso que era bom aguar as plantas da sala. Quem se importa?.
A rua cinza, fedida... tanta gente... tanta gente morta meu Deus! Me sinto em um filme de zumbis. O sol me dá preguiça. Ponto de ônibus. Gente feia, cansada, mal humorada, ônibus lotado. Desço já bem atrasado no ponto final.
Duas quadras de distância da redação finjo minha melhor cara. Respiro fundo e vou.
Entro com o melhor sorriso, digo bom dia a todos com um entusiasmo irritante. Pego um copo plástico de café preto, forte, sem açúcar.
Sento-me na frente do computador de última geração, presente do chefe. Alguém faz uma piadinha e a sala de "jovens e promissores talentos" ri.
E começo então a escrever a notícia do dia.
Mais um crime passional na noite fervilhante da cidade...
Uma história banal sobre o amor.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

Fazendo a linha desapegado. Sem ser

Eu nunca fui de fazer listas de ano novo, nem planejamento, nem nada.
No máximo eu fico sonhando com coisas fantasiosas do tipo "este ano eu escrevo um livro" ou "este ano eu estarei em um trem em Berlim e encontrarei o tal rapaz".
Quando eu tinha vinte anos eu achava que aos trinta eu já teria casa própria, casado etc, etc, etc...
Agora aos 29 anos nem sei... nem sei para onde vou e como vou, onde estarei daqui a três meses, que cidade, que país, com quem, fazendo o que...
E prefiro assim. Cada ano que passa eu vou tendo a certeza que serei sempre assim, meio errante no mundo. E isso não me impede de escrever o tal livro. De ter uma casa para voltar as vezes e de um amante para me aporrinhar a paz e dilacerar o coração.
Mas quero assim errante.
Sem listas
Sem "segredo"

Mas isso também é mentira.

Quero manter em mim meu lado Dorothy e bater três vezes o calcanhar para que meu desejo se realize.
Quero me apegar na receita da dieta fácil e a tudo que me parecer milagroso. Quero continuar na mesma cidade e mantendo os mesmo amigos.
E isso, como você já deve saber, é mentira

quinta-feira, dezembro 27, 2007

Post fraco O ultimo do ano ( ou não)

To em recesso criativo. não sai nada aqui de dentro.
Odeio esta fase do ano e todas as lembranças amargas que ela me traz.
não consigo escrever mais nada

acho que sequei.

feliz 2008 para todos!
....
uma certa dose de amor. é possível?

quarta-feira, novembro 28, 2007

Bicho Papão

Vem assim sem ser convidado
Mancha de vermelho os lençóis brancos.
E sucumbo.
Tenho a impressão de que passo a vida segurando o freio de mão.
Mas o óleo ta velho, o câmbio enferrujado e a qualquer momento o trem pode descarrilhar.
Então me corto no ponto exato. Sei como me machucar como ninguém
Sou capaz de passar horas vendo o sangue pingar sobre o piso já gasto do banheiro.
Fico insistindo nesses testes para ser o ator principal.
Bobagem! Sou apenas o coadjuvante, aquele que ajuda o mocinho a trama toda e nos quinze minutos finais morre nas mãos do assassino mascarado.
E essa atuação secundária nem é digna de Oscar.
Eis o meu segredo: tenho medo da pessoa que sou então invento uma personagem a cada noite.
E a noite vai se tornando cada vez mais longa e eu vou ficando cada vez mais distante.
Hoje especialmente cansei de minha máscara. Olho meus dedos amarelados por causa do cigarro, minhas olheiras por causa das noites mal dormidas.
Tenho medo da solidão que entra toda noite na minha sala de estar vestida de branco com olhos de angústia.
A noiva.
Penso estar enlouquecendo e os dias se repetem, se repetem se repetem...
É um ciclo.
E não consigo parar de pensar em uma noite de minha infância:
Deitado na cama no escuro eu ouvi ele se aproximar do quarto, tinhas mãos e dedos longos e usava um chapéu que escondia o rosto. Só dava para ver a sombra de um nariz grande e fino.
Lembro de ter me virado para a parede sem sentir medo ou qualquer outra coisa e aquelas mão se aproximando e lentamente tirando do meu corpo minha pequena camiseta.
Depois eu adormeci e quando acordei de manhã minha camiseta (a que eu nunca tirava para dormir porque se eu dormisse sem camiseta o anjo da guarda não me visitaria durante a noite. Foi o que dissera minha mãe) estava embolada no meio do quarto. Um montinho amarrotado tamanho p.
Agora eu sei que.
Ele nunca mais foi embora.

terça-feira, novembro 27, 2007

Monólogo (Parte 1)

Cada minuto que passa sou tomada por um desespero absoluto.
Tanta coisa acontecendo dentro de mim
Tanta confusão
Tanta coisa que eu queria dizer.
Olho ao meu redor e um mundo de micro-coisas acontecem.
Um telefone toca, alguém acena, alguém fala ao telefone, uma carta é digitada, um e-mail enviado, um beijo, uma morte, um nascimento, uma caneta cai, uma folha é rasgada, um tapa na face, um gole no café quente, um suspiro, um choro, uma risada, um olhar perdido, uma freada, um sinal fechado, aberto, um corpo que cai.
Pressa, pressa, pressa.
Tudo acontece ao meu redor e eu inerte.
Suspensa. Intocável.
Pareçe que não estou aqui. Que não faço parte de nada disso.
As vezes sou apenas o que dizem por aí.
O banal que me preenche a mente, o corpo que seca
E eu queria escrever.
Queria que saísse assim de dentro de mim este nó
Esta angústia
Uma inquietação sem fim
Uma coisa que corrói por dentro.
Queria contar sobre isso
Essa inquietude...sabe?
Não, não sabe
O que te aflige? O que te aflige?
Me conta, o que te aflige?
Sinto essa coisa esse nó na garganta
Um feto?
Seria um feto que não nasce? um feto morto?
Será que você não vê?
Ou será que não é nada?
Mas porque então eu perco o sono?
Meu corpo arde
Minha cabeça dói?
É preciso sentar.
É preciso calar
Fazer silêncio.
Tá, respira...agora....
Preciso forçar o vômito
Acabar com a ânsia.
Enfiar bem fundo o dedo na garganta e puxar
Puxar tudo de uma só vez.
Este monstro. Essa força.
Me escuta. Me escuta não vá ainda.
Olha para mim
Sabe, teve um tempo que eu acreditei que eu era diferente, que algo especial estava guardado para mim.
Eu era uma menina eu acreditei que eu conseguiria
Minha história ia ser linda....
Tão linda.
Não foi, não é.....
Escuta, me escuta!

sexta-feira, novembro 23, 2007

Meu mundo paralelo

Ando por aí tentando descobrir um sentindo pra tudo.
Ando por aí com uma mochila nas costas ouvindo meu mp3.
Por aí eu vou observando cada movimento, cada passante, sendo levado pelo caminho desconhecido do som que ouço.
Vou assim desajeitado querendo uma vida diferente, um atalho.
Desajeitado invento outro mundo e neste mundo estou sentado em uma cadeira confortável na varanda de casa.
Minha casa pequena com uma horta nos fundos, um jardim cuidado e uma bicicleta.
Nesse mundo eu fumo bastante e domino as palavras. Consigo descrever as sensações exatas das coisas. Dos cheiros, toques, sons.
O tempo passa pela janela, calmo, e eu não tenho pressa.
Neste lugar não há abismos e quando sinto falta de amigos uso o telefone vermelho que fica apoiado numa mesinha de canto.
Ali não tenho medo ou ansiedade.
Nem crises nem divã.
Não há buzinas nem fumaças. Não há obrigações. Ou deveres.
Há um amor para ser cuidado, um afago para ser feito um silêncio necessário.
Há uma árvore que cresce com preguiça, que necessita atenção.
Um vinho tinto seco na temperatura certa.
E quando o telefone não basta há a presença dos amigos queridos.
Não penso no futuro, não penso em nada, tudo que me é precioso está ali naquela caixa, naquele terreno que cultivei com amor.
É minha Macondo, minha Pasárgada.
É para lá que vou em dias como hoje (que se repetem) em que essa lama cobre tudo.
E a luz se apaga.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Sobre o amor, margaridas e abismo

Fiquei pensando em escrever sobre o amor.
Escrever como eu te amo.
Fiquei pensando em contar como passo os dias contando os minutos pra te ver.
Como é dolorido estar longe de você.
Como é um drama morar tão distante. Como passo as semanas fazendo planos para nosso encontro mensal.
Pensei em contar da vontade que tenho de estar com você toda vez que eu descubro algo de novo na rua em que eu passo todos os dias.
Que tenho vontade de te ligar de hora em hora.
Que minha cama é grande demais sem tuas pernas se enroscando nas minhas.
Que sem você as noites são longas e solitárias.
Da minha vontade de largar tudo. De deixar carreira, amigos, casa e me mudar pra tua cidade só para estar mais perto.
Pensei em escrever sobre o amor que sinto.
Mas eu não consigo.
Não consigo dizer aqui o jeito exato do meu amor. Não consigo dizer que é mágico.
E tenho medo de ser piegas.
Queria ter o dom para dizer “te amo” de um jeito diferente.
Então passo os dias tentando encontrar a palavra exata.

....
Eu ainda caio no abismo sem fim
A diferença é que agora carrego comigo uma margarida e seguro na tua mão.
E meus olhos estão abertos e fixados nos teus.
E antes do impacto que não chega nunca teu olhos me dizem para não temer.
E você sorri e percebo então aquilo que eu sempre soube.
Tudo está bem.
....
Te amo porque você não tentou me tirar do abismo
Você fez do meu abismo um lugar melhor
Você me trouxe margaridas...

quarta-feira, outubro 24, 2007

na madrugada

Msn aberto
música
diálogos
taça pela metade
safra 2006
e a vontade eterna de ser outro


ESTAR ALÉM DO PONTO.

quinta-feira, outubro 18, 2007

O que eu não sei

Eu Deveria saber já.
Mas eu tenho um dom para o abismo.
Eu me forço a andar ali na beira.
Porque eu sempre acho que assim, na beira do abismo, eu tenho a visão mais bonita...
Vivo ali me equilibrando para não cair.
Mas eu deveria saber que enquanto to ali na beirada coisas belas acontecem a minha volta.
E eu não vejo.
Não toco.
Eu sempre to olhando para meu umbigo ou para debaixo dos meus pés
Eu sempre to cavando um terreno desconhecido em busca de algo que nem sei o que é.
Às vezes quando acho que fui longe demais eu volto correndo.
Encolho-me e fecho todas as portas.
Os dias passam e eu abro uma janela... e vou voltando devagarzinho para o mesmo lugar de antes.
Como um menino maravilhado com o brinquedo novo.
Eu deveria saber aquilo que todo mundo sabe:
É preciso entender e amar a vida. Todas as suas dores e perdas, todos os danos, toda noite bem ou mal dormida, toda lágrima e riso, cada conquista, todo beijo e abraço, todo tapa e palavras duras.
É preciso estar atento para só depois, veja bem, só depois descartá-la
Eu deveria saber...