sexta-feira, agosto 17, 2007

Carta

Sampa, quarta-feira, 16 agosto.
Verinha,
Faz tempo que não nos falamos, nem mesmo por telefone ou e mail, nem mesmo um sinalzinho de fumaça.
Tenho pensado em você. Tenho pensado em nós. Eu me lembro quando te disse que eu viria embora: Eu disse que largaria tudo e que deixaria tudo para trás.
Disse que eu estava muito cansado de doer, muito cansado das pessoas, Verinha eu tenho isso tão forte sabe? Tenho preguiça das pessoas.
Lembro que naquela última noite no bar, era uma noite tão clara tão quente, você estava com um vestido lindo florido. Você me disse para tomar cuidado para ir com calma para ir sem pressa, que você tava comigo que me amava. Lembro-me bem da lua no teu rosto, do teu cabelo caído nos ombros, de tua risada. Você jogava tua cabeça para trás quando ria.
Nós dizíamos que éramos almas gêmeas. Sinto tua falta, de andar de bicicleta, de ver filme e comer pipoca na casa da avó. Sinto falta do nosso amor... era tão puro! Essa cidade me destrói, me consome...
Tô doente Verinha assim, daquele jeito na alma, tanto prédio, tanta gente, tanta pobreza, tanta gente fútil demais. Ta faltando amor.
As pessoas nem se olham mais. Um egoísmo sabe? Uma pressa! Uma necessidade de não sei o que! To querendo ir embora, talvez Berlim, talvez uma cidadezinha qualquer distante, uma casa pequena com um jardim, cuidar de mim.
Quero ir embora. Eu sei, sei que você tem orgulho de mim, sei que você têm lido coisas sobre mim. Mas eu não to feliz Verinha. Aquele garoto do interior que deu certo, quer mais além. Quero outra coisa
Sempre.
Um beijo, manda beijo para Leandro diz que to com saudades.

Seu.

Um comentário:

BHY disse...

Vá além, garoto.
;-)